Projeto Lasagna

Publicado: janeiro 8, 2012 por GG em Computação
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Um tempo atrás eu tava me remoendo por não fazer muita coisa útil ao mundo, sendo eu um suposto entusiasta de software livre. Tentando me animar pra fazer alguma coisa, o máximo que consegui pensar de cara foi só um nome: lasagna. É que eu tava com fome.

Bom, já tinha o nome do projeto, faltava o projeto. Aí na empolgação da PythonBrasil (São Paulo, fim de setembro), resolvi que ia voltar a estudar Django, que eu já tinha começado mas nunca avançado umas duas ou três vezes antes. Com o incentivo extra de termos (eu e os amigos de trabalho e república) ganhado o livro Python e Django, das mãos do autor Osvaldo, graças à nossa épica encenação da esquete da Inquisição Espanhola nas palestras relâmpago.

Resolvi estudar, comecei um projetinho legal, mas tive que parar depois de uma semana, no fim de outubro, porque caiu um raio na rede e queimou a fonte do meu notebook (a concessionária de energia diz que não caiu raio nenhum e não pagou a fonte).  Fiquei um mês sem fonte, mas enrolei até essa semana pra retomar o projeto. É ao que chegamos agora.

Apresento-lhes o primeiro software dentro do projeto Lasagna: o Rep. Uma aplicação web para controlar os gastos de uma república, em cima de uma rede social bem básica.

Pra quem for de código, o código está num repositório do github.

Estou pensando seriamente, tipo uns 99.9% resolvido, de botar pra rodar num host e abrir inscrições pra beta-testers. Pra isso eu preciso divulgar e ver se aparece gente interessada. Ajude a divulgar, por favor? Grato.

Pra quem é de ver, alguns prints.

Perfil de Usuário

Perfil de Usuário

Lista de Amigos

Lista de Amigos

Adicionando uma Compra

Adicionando uma Compra

Visualização da República

Visualização da República

Contas da República

Contas da República

Relatório de Dívidas

Relatório de Dívidas

As seis telas acima mostram o básico da ferramenta. O perfil de usuário onde cada um pode colocar a informação que quiser e também aparecem os recados recebidos; a lista de amigos onde aparecem os perfis daqueles que você favoritou; o formulário para inserção de nova compra; o perfil da república onde aparecem os seus integrantes e um quadro de mensagens (diminuí o tamanho da fonte para caber tudo neste print); as contas em aberto de uma república; e o relatório gerado com os saldos dos moradores.

Isso é uma versão inicial. Ainda tem algum trabalho pela frente, mas já dá pra se ter uma ideia de como será. E se vingar, tem mais um monte de ideias novas pra serem implementadas. Assim que existirem novidades sobre a disponibilização, avisarei aqui.

É isso! Inté! E feliz 2012.

Os números de 2011

Publicado: janeiro 1, 2012 por GG em Indefinido

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2011 deste blog.

Aqui está um resumo:

O Museu do Louvre, em Paris, é visitado todos os anos por 8.5 milhões de pessoas. Este blog foi visitado cerca de 130.000 vezes em 2011. Se fosse o Louvre, eram precisos 6 dias para todas essas pessoas o visitarem.

Clique aqui para ver o relatório completo

Minha primeira vez em Interlagos

Publicado: dezembro 3, 2011 por GG em F1
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O ano inteiro eu devo ter comentado, e particularmente no último mês devo ter falado a cada cinco minutos “vou ver a corrida em Interlagos vou ver a corrida em Interlagos vou ver a corrida em Interlagos”, que eu iria ver a corrida em Interlagos.

Aproveitei a folga pra um passeio, fui a Campinas conhecer a nova pista de kart em Paulínia, visitiei meu irmão e uns ex-colegas de trabalho, fui a Americana jogar F1 no PS3 com um volante daqueles bons na casa de um dos ex-colegas, o Helton, com quem eu iria pra São Paulo.

Na sexta, chegamos no autódromo (de carona com o Carron, outro ex-colega de trabalho) vazio, andamos um bocado pelo setor A, pra que eu pudesse me embasbacar adequadamente vendo aquele lugar pela primeira vez. Baita vista tem o setor: o melhor ponto é frente à entrada dos boxes, de onde é possível ver quem entra na reta, até o início da descida do S; e também boa parte da reta oposta e do miolo, particularmente as curvas laranjinha e pinheirinho.

Quando passou um vendedor anunciando “protetor de ouvido! protetor de ouvido” eu pensei imediatamente “nem vem, vim aqui pra ouvir os carros! vê lá se eu vou botar protetor….”. Quando Kovalainen rasgou a reta pela primeira vez, eu repensei a minha negativa.

Se a velocidade é espantosa (como também é do safety-car) , o barulho daqueles carros é ainda mais incrível. Os meus colegas (no dia seguinte, tivemos companhia do Max, amigo do Helton de Santo André) que estavam acostumados ao setor G também se supreenderam. A proximidade com a pista ali é maior, vê-se bem melhor os carros, e ouve-se muito mais. Mas o mais surpreendente ainda é o barulho que os carros fazem nas reduções. Imagine um fusca com escapamento estourado, e multiplique isso por uns mil.

Os motores Renault na Red Bull são os que mais faziam barulho de fusca estourado, mas no “pé na tauba” o mais barulhento me pareceu o Cosworth, particularmente os da Hispania. Os carros da Ferrari fazem bem menos barulho, vez ou outro até achei que estavam mais lentos ou com defeito.

Domingo

Domingo

E que senhor Piloto, com P maiúsculo, esse tal de Tião Vettel. No domingo, em uma volta já tinha disparado na frente, em quatro ou cinco estava bem longe do resto, tranquilo. Nos treinos, reparei, ele era o que mais “abusava” na entrada dos boxes, no que era acompanhado pelo seu mestre Schumacher.  Ao fim da corrida, Vettel comemorava muito (tornava-se oficialmente bicampeão), o que teria sido o maior showzinho para o público não fosse Felipe Massa inventar de fazer zerinhos, levantando uma grossa nuvem de fumaça de pneu.

Rubinho recebe um carinho enorme do público. Há de se concordar, merecido, apesar dos seus chororôs e blablablás. E quase com a mesma intensidade, Alonso é odiado. O urro de felicidade de uma torcida predominantemente vermelha quando Button passou o espanhol me espantou. Achei que apenas a torcida da McLaren (de razoável tamanho, constatei) comemoraria, mas aí lembrei do faster than you e entendi o porquê.

A conclusão que eu cheguei rapidamente, logo depois que eu vi o primeiro carro passando na sexta, foi: nunca mais assistirei essa corrida pela TV. E a vontade de manter isso foi só aumentando conforme passava carro atrás de carro e o cheiro de pneu queimado ia aumentando.

No meu facebook eu coloquei alguns vídeos e fotos (creio que está tudo público).

Tive a “sorte” de não pegar chuva nenhum dia. Ou era sol queimando, ou era um tempo abafado cozinhando. O sofrimento é maior ainda no domingo, quando é importante chegar bem cedo (eu cheguei 5h30 na fila e já tinha um bocado de gente) pra pegar lugar bom e, portanto, tomar sol durante todo o dia. Devia ter usado mais protetor solar, culpa minha. Cheguei em casa domingo à noite com olheiras marrons, um pouco de pele branca que o óculos protegeu e as bochechas rosadas – parecendo um sorvete napolitano (meninas me chupem ehsauehsauhesua).

No fim das contas, é uma experiência muito divertida. Obrigatória pra quem gosta de automobilismo. É caro, cansativo, mas vale muito o esforço.

Agora a F1 entra de férias. Mas ano que vem tá aí de novo. Verei.

A Viagem

Publicado: novembro 10, 2011 por GG em Computação

O Capitão Instein sorriu ao confirmar no computador da nave, a Arta, que a viagem estava chegando ao fim. Era a maior viagem da história da humanidade, mesmo que não se soubesse ao certo quanto tempo ela durava.

Pelo menos uns 10 mil “anos”, certamente. Uma falha no sistema de refrigeração, há milhares de anos, provocou um incêndio que destruiu quase toda a capacidade de armazenamento de dados do computador de bordo; segundo os registros que ficaram, os engenheiros haviam preparado tudo para guardar para um milhão de anos de dados, mas o acidente só deixou mil anos de espaço. E tanto tempo já tinha se passado, e mesmo agora tanto tempo depois deste problema, que ninguém tinha certeza de quando começou a busca.

Instein se levantou e ajeitou o colarinho, passou a mão pelo peito da camisa para se certificar de que estava limpo. 10 mil anos, lembrou, era a estimativa dos mais conservadores, os cientistas a bordo. 50 mil era o que diziam alguns dos mais velhos, que passavam adiante lendas sobre a origem da viagem e até mesmo a vida dos homens antes dela. Um grupo pequeno, mais exaltado nas ideias e até certo ponto chato, espalhava a “palavra” de que tudo começara 400 mil anos antes.

Enquanto caminhava para a porta da sala de comando, o capitão repassou o discurso na cabeça. Deu uma olhada para as fotos dos últimos 10 capitães no corredor (não havia espaço para mais do que isso), todas abaixo da foto de um homem velho de quem ele herdara o nome Bert Instein, de letras quase apagadas pelo tempo. Ninguém sabia mais quem fora o Bert Instein original, uns diziam ser uma figura de uma antiga religião, e esta era a versão mais aceita.

Nas centenas de pátios da nave, mais de vinte mil pessoas se reuniam à espera do anúncio mais aguardado na vida de todos eles. Cada pátio tinha um nome, escrito num alfabeto que não se usava mais e cujas pronúncias originais também já tinham sido esquecidas. Trina, Kapão, Nussia e Bnasil eram alguns deles. A lenda atual diz que eram os nomes dos criadores da Arta.

- Senhoras e Senhores! Tenho a felicidade de anunciar que nossa jornada chega ao fim! – o povo urrava por toda a nave -. Nem em meus mais otimistas devaneios eu sonhei que isto aconteceria durante minha vida, mas finalmente o ser humano encontrou um planeta para habitar após vagar pelo espaço, por dezenas de milhares de anos, em busca de um lar.

- Não sabemos mais do que nossos “avós” fugiram, nem mesmo onde moravam. Não sabemos o quanto eles esperavam que durasse nossa procura, nem mesmo se eles esperavam que desse certo. Mas o dia de hoje chegou, encontramos um planeta que o nosso computador diz ser capaz de nos abrigar. Em algumas horas, estacionaremos em sua órbita, e nos próximos meses faremos nossa mudança.

- Sejam bem-vindos ao que chamaremos Tenna, assim como nossos antepassados chamavam sua casa.

Ao fim do discurso, Instein voltou para a sua sala, onde se preparou para a descida de exploração enquanto o computador manobrava a nave em órbita do novo planeta. Menos de duas horas depois, ele estava nas docas, entrando no pequeno veículo que o levaria para baixo, junto com uma comissão de mais 9 cientistas.

Conforme desciam, viram uma cobertura vegetal abundante, o verde dominando boa parte do planeta. As sondas testavam o ar, perfeito para o ser humano, a temperatura era agradável na maior parte do globo. Minutos depois, um dos cientistas percebeu que algumas regiões estavam cheias de ruínas.

Certamente uma civilização inteligente havia vivido naquele planeta. Afastando-se do equador, onde abundava o verde, começavam a surgir cidades destruídas. Dezenas, centenas. Os exploradores desceram em uma delas. Bert Instein foi o primeiro a sair da nave de serviço e caminhar no chão duro, rachado e quase preto. Seu coração disparava, sua intuição apitava. Algo extraordinário estava para acontecer.

O capitão entrou em um prédio que julgou mais seguro. As plantas começavam a tomar espaço ali dentro, e havia pequenos animais também. Se desviando de todos os obstáculos, continuou a entrar, até chegar numa ampla sala, onde muitos retratos estavam pendurados na parede.

Então ele disse as palavras mais importantes da sua vida, que também ecoaram na Arta, lá na órbita.

- Voltamos pra casa.

E em algum lugar no passado, na Terra, um programador sorriu.

Inspirado em Encontro com Rama (principalmente as sequências)

Google Shit

Publicado: novembro 1, 2011 por GG em Computação
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Era uma vez o leitor de rss do Google, chamado de Reader. Que foi evoluindo vagarosamente com o tempo, mas tinha algo muito legal que o deixava acima dos outros agregadores de feed: uma parte social. Os usuários podiam compartilhar posts, que seriam lidos por seus seguidores. Algo simples, mas funcional e viciante.

Pois o Google redesenhou seu reader. Dizem que é pra ficar mais clean e aproveitar mais espaço na tela, eu achei que ficou pior, o efeito foi o contrário. Mas nem é esse o problema. O foda foi que arrancaram fora os compartilhamentos, pra nos obrigar a usar o Google Plus.

Na última semana eu li bastante sobre usuários insatisfeitos com a mudança. O melhor exemplo era de iranianos: o Google Reader é um site dos mais populares no Irã, e era a única rede social não bloqueada pelo governo (por uma questão de domínio, já que bloqueá-lo também bloquearia o GMail), e o povo o usava para seguir jornalistas que compartilhavam notícias de sites internacionais bloqueados. Ali também debatiam e se articulavam. Isso tudo foi pro saco, agora.

Pra quem não conhece o Google Reader, ele é como uma inbox, como um GMail, mas para posts. Você assina por ele o feed do site desejado, e cada post chega pra você magicamente sem ter que ficar vigiando o site. A imagem abaixo mostra a minha barrinha neste momento, onde os feeds podem ser agrupados em pastas:

Abrindo-se um feed, o centro da tela mostra uma lista:

E abrindo o item, você pode ler o post por ali mesmo, tudo como se fosse um email. Muito bom, né?

Até ontem, na barra no fim de cada post havia a opção share, que enviava o post para os seus seguidores – e quem te seguisse via seu nome na barra da esquerda, que levava a uma lista dos seus shares como a acima. E nos posts compartilhados, havia a opção de comentar. Era maravilhoso. Aí eles tiraram. Agora, o social é essa coisa escrota, visível nas duas imagens abaixo da tal barra de cada post:

A primeira imagem mostra o temido botão +1. Clicando nele é como dar um like que não serve pra nada, exceto aumentar o número ali que mostra quantos outros já deram like. Se você, depois do like, demorar o mouse um pouco em cima do botão, aí sim aparece a opção de sharear no Google Plus. Não há atalhos de teclado.

update: dá pra sharear sem dar like, se você clicar no share  na barra do Google no alto da página. Ainda assim não tem atalho de teclado e ninguém tem como adivinhar, tem?

A segunda imagem mostra o Send to, única coisa que presta que fizeram, que compartilha o post pelo Facebook, Twitter, ou algum de muitos outros disponíveis (não habilitei todos) como blogspot, tumblr e uma porrada mais que não decorei e não vou olhar agora porque vocês já devem ter entendido o sentido da coisa.

Muito bonitinho, mas se eu quiser ver o que meus amigos sharearam, terei que entrar naquele cocozão do Google Plus, onde os shares ficam assim:

Ou seja, pra ver direito o que shareei, o meu amigo teria que clicar no link e ir ver o post no site original, enquanto antes era possível vê-lo inteiramente no próprio Google Reader.

Sinceramente, Google, você achou isso bom?

Se eu quisesse ver timelines, eu ficava no Facebook. Onde, aliás, os shares ficam do mesmo jeito, pequenos:

Nas próximas semanas devem aparecer clones do modelo antigo por aí, e quem fizer um razoável no menor espaço de tempo vai abocanhar muitos usuários. Eu incluído.

O meu temor é que logo o Google Reader morra de vez, já que agora é só um leitor de feeds como qualquer outro. Estão querendo nos forçar o Plus goela abaixo, o que não vai dar certo. Não gostaria de ler os blogs que tanto gosto no formato de timeline, não tem nada a ver. É uma cilada, Bino!

Minha humilde opinião é que eles poderiam ter deixado do jeito que tava, mesmo que dissessem “não vamos mais manter, não vamos mais melhorar, vai ficar isso pra sempre e vamos nos concentrar no Plus”. Seria uma cagada menos fedida na cabeça de tantos usuários até então satisfeitos.

Mas minha opinião não vale porra nenhuma. Vou só xingar muito no twitter mesmo… e sharear umas mulheres peladas no Facebook e no Plus só pra causar mesmo.

sobre ouvir e fazer música

Publicado: outubro 29, 2011 por GG em Musicrônica

Eu pretendia escrever um resenha sobre um dos últimos cds que comprei, mas uma conversa interessante que tive com meu amigo Gaúcho acabou me levando a escrever algo mais interessante pra todo mundo e ainda assim relacionado ao que eu queria dizer sobre o tal disco (que vem a ser o A Dramatic Turn of Events, do Dream Theater).

O assunto começou quando eu relembrei a minha “evolução” de gosto musical – e trato evolução aqui como mudança no tempo, não necessariamente pra melhor, caso você discorde do meu gosto.

Lá pros cinco ou seis anos, eu ouvia sertanejo e o que mais tocasse nas festas da família ou no rádio da minha mãe, o que é normal pra idade. Fui na onda pop (sim, ouvia Spice Girls, Backstreet Boys, N’Sync, essas coisas) até os onze ou doze, quando passei a ouvir Gala e outras músicas eletrônicas. Até chegar no rock aos 14, entrando pela Legião Urbana, depois descobrindo Pink Floyd, Guns N’ Roses, Angra, Dream Theater e, há uns três anos, Queen, minha banda preferida, Savatage e Iron Maiden mais recentemente.

pull my finger!

pull my finger!

O ponto na discussão era exatamente a amplitude da mudança de gosto. Houve épocas em que não suportava metal pesado, mas agora é a base da minha biblioteca; porém ela está recheada de bandas progressivas e rock clássico ou mais pop, pra botar na lista também Genesis, Bon Jovi, Led Zeppelin, Judas Priest, Rush. Por último, entraram Queensrÿche e Fates Warning. Quem conhece um mínimo dessas bandas sabe o quão variado é isso.

Eu não aguentaria ouvir as mesmas músicas, a mesma banda ou poucas bandas todos os dias. Por isso tantos estilos diferentes na minha playlist. Mas…. e os caras das bandas, aguentam? Aguentam tocar as mesmas músicas todo dia?

E quando eu pensei nisso, eu senti um calor no coração (ui) ao compreender os sentimentos de todas as bandas que são criticadas por mudarem seus estilos, por evoluírem seu som com o tempo. Se os fãs, que em sua maioria não entendem porcaria nenhuma de música, podem mudar seus gostos, porque não podem os ídolos?

A Dramatic Turn of Events é mais um exemplo disso. O Dream Theater, adivinhem só, tem sido criticado por supostamente ter tentado “refazer” um de seus discos das antigas. Durante muitos anos foi criticado por mudar a direção das composições, como em Falling Into Infinity e Train of Thought, e agora são criticados por voltar atrás. Eu achei o disco novo sensacional, quase no nível dos seus melhores (Images & Words e Scenes From A Memory), e mesmo que eu tivesse achado uma bosta, como achei que foi Octavarium, minha crítica seria ao som e não à postura do grupo.

Também li críticas ao Iron Maiden quanto ao seu The Final Frontier, por também terem uma suposta mudança, e olha que eles mudam muito pouco. Eu fico imaginando se os caras não pensam, vez ou outra, em gravar uma lambada, ou uma catira, ou qualquer coisa diferente, se não ficam enjoados do metal clássico que fazem em todo disco. Aí eu lembro da carreira solo do Bruce Dickinson e percebo que ele já teve seu tempo de saco cheio e mudança de ares.

Por isso, antes de meter o pau na sua banda preferida só porque eles botaram um axé no meio do disco de doom metal, tente pensar no lugar dos caras. Aprecie a mudança, porque ela também faz parte da obra. Levando as coisas por esse lado, dá até pra se divertir com os discos de tuntz-tuntz do Freddie Mercury, por exemplo:

Aliás, minha sugestão: estude música. Você vai ouvir tudo de um modo diferente, e faz muito bem pra cabeça.

E pra finalizar o assunto: fiquei de saco cheio das minhas músicas esses dias, e resolvi usar o serviço de rádio da last.fm, o site que eu já usava pra guardar minhas estatísticas (se você usa, me adicione lá). Botei no modo de recomendações, baseado no que eu já ouvia, e conheci bandas muito legais: Seventh Wonder, Darkwater, Opeth, Evergrey, Redemption, Shadow Gallery, Spheric Universe Experience, Orden Organ. E pude conhecer um pouco mais de velhas bandas, como os progressivos Premiata Forneria Marconi, Yes, Emerson, Lake & Palmer, Rick Wakeman, Van der Graaf Generator, e os classic metal Saxon, Manowar. Já tenho agora uma lista muito boa pra variar minhas playlists por uns 15 anos.

Pátria Amada, Brasil

Publicado: outubro 23, 2011 por GG em Indefinido

Este texto foi escrito pelo Rafael, meu irmão, no seu blog Você acha certo isso?. Fica aí a propaganda: ele escreve muito bem, é tão chato quanto eu e tem o agravante de ser um chato com metodologia científica.

É muito fácil querer passar credibilidade a um texto atribuindo-lhe a autoria de alguém importante. Albert Einstein que o diga. Esses dias apareceu no facebook, compartilhado por alguns amigos meus, um texto um tanto quanto antigo, desses que os nossos tios e tias nos mandam por e-mail assim que são incluídos digitalmente e acham tudo novidade, tudo muito bonito. Pois bem, o texto enaltecia o Brasil, perante o nosso costume de sempre reclamar e criticar o país, e dizer que tudo lá fora é melhor.

O texto a que me refiro pode ser encontrado aqui. Espalhado de forma viral, o texto supostamente é de autoria de “uma escritora Holandesa”. Seu nome sequer é citado, mas ninguém se importa com isso. Para o mim o texto já perde a credibilidade a partir desse momento, mas sigamos em frente.

Segundo a escritora holandesa (ou segundo o autor desse texto?), nos Estados Unidos e na Europa ninguém tem o hábito de enrolar o sanduíche em um guardanapo ou de lavar as mãos antes de comer. Ora, maravilha! Todos os problemas do Brasil me parecem tão insignificantes agora. Temos uma das piores distribuições de renda do mundo, mas o que há? Somos limpinhos. Saneamento básico? Estamos atrás da Jamaica, mas isso também é besteira. Afinal, em Londres vendem batatas fritas enroladas em folhas de jornal. Pegam o dinheiro com a mesma mão com que pegam os pães, e sem luvas, algo inexistente no Brasil. Os nossos garçons são muito mais educados que os de Paris, agora sim o país avança.

Em seguida vem um comentário sobre as grandes potências quererem DESTRUIR outros povos colocando a imagem de sua bandeira nos momentos mais emotivos dos filmes, dessa forma impondo suas crenças e culturas. Essa eu prefiro nem comentar.

Agora, estejamos atentos: estamos sendo vítimas de crimes contra a pátria, crenças, cultura, língua etc por parte das empresas de software ao chamarem nosso idioma de português brasileiro. E eu aqui achando que elas só queriam adequar melhor os seus produtos e serviços atentando às diferenças entre o nosso português e o de Portugal.

O texto cita dados da Anthropos Consulting: o Brasil é o único país do hemisfério Sul a participar do projeto Genoma. Bem, a informação talvez fosse correta quando escreveram esse texto e nem todos os países atuais já estivessem participando, mas África do Sul e até Angola participam. Talvez quisessem dizer que o Brasil é o único participante da América do Sul. Mas tudo bem que são 16 países apenas, de qualquer maneira é bom ser um dos participantes, então não vou reclamar deste ponto.

No Brasil, segundo o autor do texto, segundo a escritora holandesa e segundo a Anthropos Consulting, 97,3% das crianças e adolescentes entre 7 e 14 anos frequentam a escola. De fato muito boa a nossa educação básica, nem precisamos mais de investimentos. 10% da população analfabeta, por exemplo, é um número bem pequeno. O Brasil ter ficado em 53º (dentre 65 países) na avaliação do PISA de 2009 (o último realizado) é uma ótima classificação.

Devemos nos orgulhar, pois somos um dos maiores mercados de linhas de telefonia celular e fixa. Somos um povo solidário, hospitaleiro, que se esforça pra falar a língua dos turistas, e isso vai nos transformar em uma grande potência mundial. Vamos nos orgulhar, pois o Congresso está punindo os políticos de má conduta. Corrupção no Brasil? Praticamente erradicada. José Sarney é conhecido apenas por ser um escritor e Paulo Maluf apenas como engenheiro.

Estou tão contente em saber dessas qualidades do nosso país que acordarei amanhã cedo sem o mau humor costumeiro, abrirei a janela do meu quarto sorridente e gritarei BRASIL, com os braços abertos.

PS: Só para constar, duvido muito que sejam verdades as partes de não enrolar sanduíche no papel, não lavar as mãos, as batatas no jornal, e gente fumando até no elevador.

Rafael Marcondes