Capítulo 1 Junho 22, 2007
Posted by Gabriel Marcondes in Epopéia.trackback
Dizem que já se passaram alguns milhares de milhões de voltas. Uma pessoa comum só vê algumas, raramente chegando a cem. A única “coisa” que posso dizer que viu todas é justamente a razão das voltas: uma grande massa de hélio de cor amarela e forma próxima a esférica.
A chamamos de Sol. Algumas culturas o adoraram no passado, diziam ser o centro do cosmos, e a fonte de toda a energia da vida, e que assim também eram todas as estrelas para seus planetas. Os sóis eram semi-Deuses que governavam cada pedaço do Universo onde havia vida, o que não é pouco.
Outras culturas, a maioria, não o idolatravam, nem a ele nem a nada. Após dez mil voltas da nossa Terra em torno dele, acharam que já tinha passado da hora de ficarem adorando seres e divindades que nunca viram e quase não agiam. Em nome da prática, resolveram gastar seu tempo com assuntos mais úteis, como trabalhar para conseguir dinheiro e sustentar a família, e não mais torcer para a comida cair do céu. Isso trouxe mais auto-estima para os chefes de família; antes, a pessoa sofria trabalhando, pagava as contas, e no fim tudo que tinha era graças a alguém que nunca aparecia.
De todo jeito, as religiões e crenças serviram como guia para muitos povos, e não se pode dizer que fracassaram. Foi bom enquanto durou e teve utilidade. Agora só existe uma.
E por que falei do Sol e das nossas voltas em torno dele? Porque a religião que sobrou é a daqueles que vivem com ódio da nossa estrela, e dizem que há alguns milhares de anos atrás ele foi o responsável por um evento que quase destruiu a vida humana, dizimando toda uma próspera cultura que já existia no planeta havia um bilhão de anos. Seu fundador teria sobrevivido à tragédia e ajudado a recriar a civilização humana como conhecemos hoje.
Claro, o resto do mundo achava aquilo uma idéia absurda. Eu também achava, até descobrir, de maneira bem desagradável, que a maioria estava errada.
Comentários»
No comments yet — be the first.