Sim

Publicado: maio 28, 2013 por GG em Musicrônica
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Quando eu fiquei sabendo que o Yes viria ao Brasil, eu corri pra falar com meu irmão Rafael, e pra comprarmos rápido os ingressos. Sempre conheci o Yes de reputação por citações do meu pai desde que eu era pequeno, embora tivesse ouvido pouco até o ano passado, e fiquei surpreso e feliz ao saber que eu poderia assistir a uma banda que eu já admirava e tinha como uma das melhores da história. Afinal, era dali do Yes que surgia a linhagem do Rush e do Dream Theater, outras bandas grandiosas e de estilos que eu gosto muito.

Corri também para olhar qual era a formação atual, preocupado em saber se o Steve Howe estava na banda, e estava. Ótimo, foi só esperar chegar o dia 24 de maio, e ir pra São Paulo.

Eu sabia que os nossos ingressos eram em uma mesa, mas não sabia que todos os ingressos eram em mesas. Parecia um show do Roberto Carlos de fim de ano na Globo, todo mundo sentadinho, serviço de bar nas mesas, o que achei muito bom. Assim, todo mundo podia ver bem o palco.

A banda de abertura era o Seven Side Diamond, de Curitiba, tocando prog com uma pitada de jazz, que achei muito boa.

Pouco depois das dez, o Yes entrou no palco. E era uma aparição, era algo surreal. Um palco simples, uma produção básica, que não tentavam roubar a cena da boa música. Steve Howe, Geoff Downes, Alan White, Chris Squire e Jon Davidson executaram seus clássicos com uma leveza e tranquilidade espantosas. Como bem comentou o meu irmão, é animador ver que é possível continuar tocando bem mesmo velhinho.

Vieram os álbuns completos Close To The Edge, Going For The One e The Yes Album. E gostaria de destacar primeiro o vocalista Jon Davidson, cuja voz é muito parecida com a do Jon original, e nos fez sentir totalmente confortáveis com sua performance impecável. Movimentava-se lenta e graciosamente, parecendo um anjo (as roupas brancas ajudavam), e arriscou falar português em vários momentos, o que sempre cativa o público brasileiro.

“Agora o Steve vai tocar Clap”, foi uma das frases de Davidson, e que foi a deixa para o ponto alto do show, com Howe sentado no monitor de retorno e mandando ver no violão, uma das músicas mais esperadas da noite. Howe está bem velhinho, parecendo o Zagallo, mas sua aparente fragilidade é só a casca de um monstro da guitarra, e ao fim de Clap ele foi aplaudido de pé por bastante tempo.

Aliás, agora é o que eu quero falar mesmo: Steve Howe é o guitarrista mais honesto que eu já vi e ouvi.

Mesmo já conhecendo os discos, me espantei ao vê-lo executando-os ao vivo com um som clean. Em apenas dois ou três momentos, Steve usou distorção, mas um drive bem leve, só pra dar um sustain em algumas músicas.

Quem toca guitarra sabe que, além de um efeito estético, a distorção tem um papel de trapaça. Como diz meu professor de guitarra, o Guto, “distorção é recurso”. Com um drive bem forte, podemos tocar notas emboladamente, falhar palhetadas ou digitações, que a distorção mascara o erro, deixa as notas fracas mais fortes.

Mas Howe não usa tal recurso nos seus solos. Errou várias notas, várias vezes, durante o show. E foi fantástico, porque isso não importa. Porque ele criou aquilo ali, porque ele tem coragem de tocar sem medo de errar, e você aí me ouvindo, você tá ouvindo porque você gosta, e hey, uma nota ou outra errada não é problema.

Ao fim dos três álbuns, a banda saiu do palco, e voltou para o tradicional bis com Roundabout, que foi ouvida de pé. O rapaz na nossa mesa ainda brincou que eles poderiam tocar o Fragile inteiro no bis. Teria sido bom, sim.

Na despedida, Jon Davidson desejou, em português, Harmonia, Paz e Prosperidade. Caramba, ele falou Prosperidade, sem errar, sem sequer parecer gringo.

Excelente, Yes, foi um prazer tê-los visto tocando. Não sei se os verei outra vez, mas com certeza esse show já ficou entre os mais marcantes que já vi.

A Mais Curta História de Super-Herói

Publicado: abril 21, 2013 por GG em Epopéia, Indefinido

As equipes de jornalistas correram pro centro da cidade.

O rastro de destruição era enorme. Centenas de feridos agonizavam pelas ruas, ao lado de dezenas de mortos. Carros, árvores, casas e prédios, tudo era esmagado sem piedade.

BREAKING NEWS era o que mais se via e ouvia nas tvs, aquelas transmissões intermináveis nas quais os repórteres já nem tem mais o que falar mas continuam falando e falando e falando….

O maligno cientista mascarado estava acabando com tudo que via pela frente e seria uma excelente hora para nosso herói aparecer, resolver tudo e soltar alguma frase de efeito para a imprensa.

Mas ainda não existiam super-heróis naquela época.

O jovem correu, mas não conseguiu chegar a tempo e perdeu o ônibus. A tarde era quente, abafada, do tipo que odiava- os quarenta minutos de espera para o próximo ônibus seriam terríveis, porque não havia sombra possível pra se esconder.

Um homem mais velho chega e se senta ao seu lado no ponto. Camisa rasgada e manchada com sangue que escorria da testa. Um olho começando a arroxear se salientava, e alguns cortes nos lábios deviam fazer arder o pequeno sorriso aflito no seu rosto. Olhou os livros no colo do jovem, os livros do curso pré-vestibular, respirou fundo, recostou-se no banco e perguntou:

- Rapaz, quer ouvir uma história?

O jovem o ignorou. Sem se surpreender com o pouco caso, o velho insistiu. Esticou uma das mãos, fechada.

- Já viu Matrix?

Pronto… tudo o que me faltava era alguém pra vender drogas no ponto de ônibus, com um sol de quarenta graus fervendo a cabeça. – pensou o jovem.

Abriu as mãos sem esperar resposta. Não tinha pílula vermelha nem pílula azul. Fez um gesto de desdém.

- Quem dera fosse daquele jeito. É muito pior.

Excelente! Um louco com teorias de conspiração.

- Ah sim, estou parecendo um louco com teorias de conspiração. Mas não sou. Sou um cientista, que descobriu de verdade que o universo, o nosso universo, é uma simulação de computação.

O jovem soltou um “uhum”. Deixou-o continuar.

- Bom, quem sabe você se anima com o decorrer da história… eu estava conduzindo minhas pesquisas computacionais em inteligência artificial, brincando com uns novos conceitos que tenho proposto sobre raciocínio multidimensional, e acabei sem querer chegando a algo fabuloso. Eu cheguei na API do universo.

Não falou nada. Não sabia do que se tratava nenhum daqueles termos.

- E não tinha documentação nenhuma! Hahahahaha…

O velho riu sozinho por um tempo da própria piada.

- Rapaz, essa história é real. Veja só, minha carteira de funcionário da Universidade. E gostaria que você me ouvisse.

Com uma carteirinha bem maltratada na mão, foi isso o que ele contou:

“O nosso universo é o resultado de um programa de computador. Não temos como imaginar como seja esse computador, pois ele é certamente mais complexo que qualquer coisa que ele crie. É uma máquina poderosíssima. A cada mínimo instante de tempo, ah sim, o tempo tem divisões mínimas, ele calcula tudo o que deve acontecer em todo o universo. Era uma teoria antiga, mas fisicamente muito difícil de provar. Só consegui provar porque achei algo sem querer

“Você não programa, certo? Se programasse, conheceria o conceito de funções, ou sub-rotinas, que são partes menores que compõe um programa, com uma tarefa específica recorrente. Se eu preciso várias vezes que meu programa calcule a raiz quadrada de um número, eu crio uma função pra essa conta e peço a ela que faça esse trabalho sempre que necessário.

“Algumas vezes você pode criar funções para que outras pessoas usem em outros programas. E aí você tem uma API, que é um conjunto de funções disponíveis, cada uma com seu jeito certo de ser chamada.

“Pois este programa que simula o nosso universo, ele tem como ser acessado por nós. Ele deixa exposta sua API. Estava ali o tempo todo, mas nunca sabíamos como usá-la. Agora eu descobri como. Eu consigo acessar o programa do universo. Eu consigo usar suas funções. Eu consigo manipular precisamente o conteúdo de cada ponto do universo.

“Eu queria usar a máquina pra criar comida e água e acabar com a fome do mundo. Nobre, certo? Eu poderia ter resolvido isso. Mas parece que muita gente não quer que esse problema acabe. De algum modo a notícia saiu de dentro da Universidade, e dias depois eu fui procurado por representantes de ditaduras africanas. Destruíram a máquina e tentaram me matar, mas consegui escapar com os dados do projeto.

“Depois disso o governo do meu país apareceu. Eles investiram na reconstrução projeto, e eu construí uma nova máquina, vivendo num lugar seguro e protegido. Mas como não podia demorar a acontecer, os militares tomaram conta do projeto e queriam a máquina como uma arma.

“Não topei isso também. Então eu destruí tudo outra vez e fugi, trazendo comigo apenas uma versão compacta da máquina. E resolvi viver como um super-heroi: escondido e fazendo boas-ações no meio da noite. Visitei alguns países, milhares de cidades, deixando comida e ouro para os pobres.

Era uma história interessante, daria um bom conto de ficção.

- E pelo que parece, te descobriram?

- Sim. Esta noite, aqui perto da sua cidade, eu fui visto por várias pessoas. Elas sabiam o que eu fazia. Elas queriam tomar a máquina, e fizeram isso à força. Agora devem estar quebrando a cabeça, porque não conseguirão operá-la, e logo ela estará sem energia se não for corretamente manuseada. Raça ignorante o homem, está destruindo algo maravilhoso que poderia dar-lhes tudo, por pura ganância. Dos ricos e dos pobres.

Suspirou e continuou.

- A humanidade é um lixo e continuará assim porque quer. Está tudo acabado, e só estou esperando os militares me acharem. Resolvi esperar aqui mesmo, não devem demorar muito.

- Ok – concordou o jovem, sem acreditar na história.

Por um tempo, nenhum veículo passou na rua. Nenhum sinal de ônibus, carros, bicicletas. De nenhum dos lados. Até que apareceram dezenas de viaturas, polícia e exército. Carros pretos com vidros pretos, de onde desceram homens de terno preto e óculos escuros, apontando armas para o sujeito ao meu lado. Ele levantou os braços e andou em direção a eles.

O jovem ainda gritou, brincando:

- Hey! Como vou saber se a sua história é essa mesmo????

- Não vai. Ninguém vai saber.

E a última coisa que o jovem viu foi um vulto se aproximando por trás. E nunca mais se lembraria de nada, nem mesmo da matéria do vestibular.

Os números de 2012

Publicado: dezembro 30, 2012 por GG em Indefinido

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2012 deste blog.

Aqui está um resumo:

19,000 people fit into the new Barclays Center to see Jay-Z perform. This blog was viewed about 110.000 times in 2012. If it were a concert at the Barclays Center, it would take about 6 sold-out performances for that many people to see it.

Clique aqui para ver o relatório completo

Interlagos, 2012

Publicado: novembro 28, 2012 por GG em F1
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Como não podia deixar de ser, voltei a Interlagos este ano. Depois que se vai uma vez, é muito difícil pensar em não ir mais.

Desta vez, dei ingressos de presente para meu pai, e o meu irmão também foi. Claro que os dois ficaram encantados desde o primeiro ronco de motor e já querem voltar no ano que vem.

E que baita corrida a gente viu!

Na sexta o dia foi MUITO quente. Tanto que, esperando o metrô na volta, eu passei mal e comecei a ter confusão mental, mas que não deu em nada e aliviou depois que eu fiquei embaixo do vento gelado do ar condicionado do trem.

O sábado foi bem mais tranquilo, com muitas nuvens, e uma chuvinha fina poucos minutos antes do início do treino classificatório, que durou mais ou menos metade do Q1. Nem pra embolar o grid serviu, mas pelo menos deu uma refrescada na gente.

O domingo amanheceu com nuvens ainda mais densas, mas nada da chuva prometida para o dia inteiro. O ventinho agradável demorou bastante a trazer a chuva que cercava o circuito por todos os lados. Os primeiros pingos só chegaram quando os carros já estavam alinhados para a largada, mas aí não pararam mais.

A garoa foi o que fez a corrida tão cheia de surpresas. Variando de intensidade a cada poucos minutos, ora os carros com pneu liso estavam mais rápido, ora os de pneu intermediário. A rodada de Vettel logo na primeira volta e sua recuperação fantástica em meia dúzia de voltas deixou todo mundo perplexo. O desempenho de Hulkenberg com a Force India também. Acho até que o rapaz teria vencido a corrida, não tivesse feito a cagada de bater em Hamilton (na minha opinião ele não deveria ter sido punido, e assim teria conseguido o pódio). A lamentar também que Hamilton não tenha vencido na sua despedida da McLaren, mas fiquei satisfeito com a vitória de Button.

E claro, outro importante evento do dia, era a última corrida de Michael Schumacher. Foi muito aplaudido enquanto fez a volta de alinhamento com uma bandeira onde dizia “Thank You”. Me surpreendi, pois esperava que o público tivesse uma hostilidade besta. Fico feliz que o povo não é tão bobo quanto eu pensava.

Não tinha como não me emocionar com o choro de Vettel, campeão, e de Massa, que fez excelente corrida e mostra que está voltando a ser bom piloto, e com a despedida do maior campeão da história. E some-se a isso o de sempre: presenciar pilotos geniais como Alonso e Hamilton, revelações como Kobayashi e Hulkenberg, campeões como Button e Raikkonen, o cheiro de pneus, fumaça de freadas, o barulho do limitador de giro, o berro dos motores na aceleração e seu lamento nas fortes reduções.

Não tem como não gostar de uma coisa assim.

Death, Deceit, Love

Publicado: agosto 28, 2012 por GG em Musicrônica
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Depois que eu vi o show do Roger Waters, eu fiquei cético com qualquer outra apresentação. Vi bons shows do Queensrÿche e do Fates Warning, mas tem sempre ficado aquela sensação de “blé”. Pra alguma banda me impressionar agora precisa fazer coisas absurdas no palco.

O Dream Theater é essa banda.

Espantando qualquer receio de que a troca de um membro fundador pudesse abalar a banda ou afastar os fãs. Os caras parecem mais felizes, leves, talvez até aliviados sem aquele-de-quem-não-se-fala-mais. É um prazer enorme presenciar uma exibição de técnicas tão apuradas em todos os instrumentos.


PEGA ESSE SWEEP DE SEIS CORDAS, PEGA

Bem divertido o show no Credicard Hall, em São Paulo, no último dia 26. Mike Mangini tirando um sarro durante seu solo comendo uma banana enquanto, com a outra mão, marcava um ritmo que meros mortais não conseguem se imaginar fazendo nem se tivessem quatro; Petrucci fazendo um solo improvisado horrível e brincando de tentar atrapalhar Rudess, que o acompanhava no teclado, depois criticados pela merda de solo por LaBrie, que foi desafiado a tocar melhor; foram apenas alguns dos momentos em que a banda conseguiu tirar risadas do público.

Fotos: Rafael Marcondes

O repertório trouxe quase todo o novo disco (A Dramatic Turn of Events), permeado por todas as fases, desde A Fortune in Lies até Dark Eternal Night, passando por Surrounded, The Silent Man, 6:00, The Spirit Carries On, War Inside My Head, The Root of All Evil.

O som era alto e fiel. Cada uníssono tremia tudo e era uma porrada na orelha. E foram quase 3 horas de pauleira em altíssimo nível. Me espantei com a qualidade da apresentação do vocalista James LaBrie, incansável e inabalável alcançando notas que costumava evitar em turnês anteriores, mesmo na sua juventude.

Para o encore a banda trouxe Metropolis Pt.1, que era a música que eu mais esperava e foi o momento em que me emocionei, por ser uma das minhas músicas favoritas. E, certamente, muito esperada por todos os fãs que ali estavam (incluindo o baterista Aquiles Priester, que fez audição para a vaga de baterista, ali na pista no meio de nós), e cantada com muito entusiasmo.

Depois de uma mudança de eventos tão dramática, o Dream Theater vai chegando ao fim da turnê fortalecido. Após a passagem pelo Brasil, a banda entra de férias até o fim do ano, mas não seus membros; LaBrie vai gravar novo disco solo, Petrucci vai excursionar com o G3, por exemplo. E em 2013, devem se reunir em estúdio para começarem um novo álbum, onde poderemos conferir o que Mangini pode trazer de novidade ao som da banda.

Death, Deceit e Love são as 3 danças eternas citadas em Metropolis Pt.1 e também no disco Scenes From A Memory.

Escrevendo sobre Ciência

Publicado: agosto 21, 2012 por GG em Computação
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Fazendo uma propaganda pra meu próprio trabalho: escrevi um texto, voltado pro público geral, sobre supercomputadores e seu funcionamento. Foi publicado lá no site do grupo de pesquisas onde trabalho, no INPE. Dá uma olhada lá, e aproveite pra ver o resto do site do GMAO, que eu estou desenvolvendo em Django (ainda escreverei sobre isso também, aqui no VaiNaLousa).

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