Pisa que faz mais barulho – parte 2 fevereiro 1, 2010
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[continuando o que comecei na parte 1]
Agora que busquei minha guitarra e meu amplificador em São Carlos (aproveitei pra buscar o certificado de conclusão de curso também, ehehe), enrolei um pouco e resolvi, ontem, soldar o que faltava no pedal. Desta vez soldei eu mesmo, nada de pai-estagiário.
Acabei fazendo outra caixinha, com uma distribuição mais “convencional” dos elementos, porque a que eu tinha feito antes provavelmente causaria alguns ‘conflitos por espaço’, digamos assim, pra não dizer que ia ficar coisa sobre coisa.
Acabei tendo que trocar de botão, porque o botão bom que comprei não servia, era só liga/desliga enquanto eu precisava de um que comutasse entre dois circuitos. Boto a culpa no meu pai, foi ele que escolheu, hehe. Peguei então o botão do pedal antigo que não funcionava e vou adptá-lo, trocando a tampinha dele pra ficar preto e combinar com o resto.
Na parte superior também pus um jack de adaptador DC, retirado do pedal velho assim como o soquete da bateria.
Quanto à fiação, não está visualmente linda porque optei por colocar fios compridos, de modo que eu possa manipular/abrir a caixa com tranquilidade sem correr risco de arrancar alguma coisa. Tem também o fato de eu não ter prestado atenção e embaralhado alguns fios, mas ignorem isso por favor. Outra coisa que vou fazer, futuramente, é trocar os jacks de entrada e saída por jacks mais robustos, “profissionais”, que ajudam a reduzir o ruído.
Para o acionamento usei um dos esquemas de fiação lá do próprio tonepad. Fiz um dos mais simples, sem circuito de feedback (vulgo luzinha que avisa se está ligado ou não). No layout anterior, eu tinha colocado um botão on/off pra desligar a energia, no novo eu optei por tirá-lo.
Fui testar hoje cedo, e o caminho “limpo” (por fora do circuito) está funcionando. Fiquei espantado, ainda vou investigar o porque, mas esse caminho deu ganho em volume! Já o do efeito… não pude testar porque a bateria paraguaia que eu tinha aqui em casa já estava fraca.
Então o teste ficará para o próximo episódio, aí se eu animar coloco até um mp3 com o som.
E Depois? [parte 5] janeiro 27, 2010
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Essa nossa mania de achar que tudo tem que ter motivo… como por exemplo, “qual o motivo do GG ter escrito aquele texto ridículo sobre virar página?”.
Não tinha nenhum não – apenas foi o assunto que me veio à cabeça numa noite insone. Mas se fizerem questão de um, eu lhes dou: formei, caralho!
Aí agora eu fiquei reparando, e vou listar pra vocês, os “momentos definitivos” da minha formatura. Por várias vezes pensei “agora sim!”, e ainda tem mais por vir.
- Quando eu tirei a nota necessária nas últimas provas;
- Quando as notas foram publicadas no sistema da Universidade;
- Quando o sistema passou o meu status de “candidato a formatura” para “concluído”;
- Quando colei grau e recebi o certificado na colação;
E o próximo, que será quando o diploma estiver pronto e eu for buscá-lo.
O bom nesses casos é poder comemorar várias vezes o mesmo evento!
Hoje eu fico por aqui, inté.
flap janeiro 25, 2010
Posted by GG in Indefinido.2 comments
Pensei em começar xingando o cara que inventou a expressão “virar a página”. Mas, conforme fui pensando no que escrever, percebi que eventualmente concordaria com ele e resolvi pegar mais leve.
Vou começar assumindo que significa superar um assunto e continuar o “livro”, que todo mundo sabe que é uma analogia bem brega pra vida; e vou logo contestar.
Porque, ora!, virar a página não necessariamente trará um assunto novo, mas muito provavelmente vai é trazer mais do mesmo. Virar a página é simplesmente como passar um dia. Ah, “um dia após o outro”. Caramba, como a gente gosta de chavão.
Se você pegar um livro de 400 páginas e 20 capítulos, virar a página só vai trocar de capítulo 5% das vezes, em média. E eu disse trocar de capítulo, o que não necessariamente troca o assunto. E mesmo que troque, a história vai continuar sendo a mesma, e se você esquece o que havia antes, a história fica incompleta.
Talvez daí venha o “viver e aprender”, já que um capítulo depende dos anteriores.
O que é virar a página, então? Creio que isso fica pra cada pessoa definir. Afinal, o livro é pessoal e intransferível! Por exemplo, eu posso fazer o meu livro como uma história em que o herói fica mais forte a cada adversário derrotado, um por capítulo; outra pessoa pode fazer do livro dela uma coletânea de contos e aí sim, virar a página muito mais provavelmente mudará o assunto, mas nesses contos os personagens não duram muito tempo. Pobres personagens, nós mesmos e os outros.
Então passo para a interpretação alternativa – virar a página é o mesmo que “dar tempo ao tempo” [pausa- eu estou MESMO escrevendo esse texto???]. É trazer à tona os novos capítulos, os novos fatos, as novas aventuras do herói, as novas encrencas da mocinha. Assim você ainda pode acreditar que seu time pode ganhar o campeonato do novo ano, acreditar que nesse semestre você vai bem em todas as provas.
Essa é a nossa gasolina – esperança, expectativa. Palavrinhas que causam frio na barriga dos mortais. Mas o mais estranho é que ficamos sempre ansiosos para que tudo se resolva, que a página vire! Eu digo por mim, e talvez nem todos sejam assim, mas eu prefiro um ‘não’ definido do que um ’sim’ provável.
E voltando à história das páginas… seja lá o que isso signifique, só mostra como nós sempre precisamos achar analogias e explicações pra tudo. Maldito ser humano que não vive sem respostas! E daí eu tiro mais uma – virar a página pode trazer uma resposta para um mistério. Ah, seria ótimo se fosse sempre assim, uma pena é que geralmente virar a página traz mais mistérios, mais dúvidas, mais incertezas.
Mas que graça teria a vida se a gente já soubesse a história toda desde o início?
Agora eu releio o texto e novamente me pergunto o porque de tê-lo escrito. A resposta óbvia é que o texto é uma virada de página.
O que não é tão óbvio, é que não só a última página lida me leva a isso, mas todas as anteriores em conjunto. Eu diria que estou saindo de um capítulo que resumiu a história até então, como aqueles capítulos que aparecem em livros de continuação pra te botar a par do que aconteceu, e agora o herói e sua turma vão entrar em novas terras atrás de seu objetivo, este sim que nunca muda.
E eu queria terminar com uma bela conclusão, mas é difícil concluir bem sobre alguma coisa que não acaba. Que fiquemos, então, com as lições aprendidas até aqui, e que nunca as esqueçamos, pra que a história não tenha buracos.
Aí, quem sabe, quando virarmos outra página, esteja ali uma bela resposta pro que queremos saber.
E só pra completar, eu recomendo que ouçam uma musica foda chamada “Turn The Page”, do Metallica. Não conferi a letra, não sei se se aplica ao caso. Mas vale a pena ouvir.
Pisa que faz mais barulho – parte 1 janeiro 17, 2010
Posted by GG in Computação.Tags: distorção, efeito, guitarra, pedais
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Alô você! Pensaram que tinha abandonado isso aqui só porque eu escrevo em tiopês agora? Nada! Na verdade vocês nem deram por minha falta né? Hehehe. Ok, vai passar.
Um dos meus projetos de férias – além do projeto de por fim nelas – é fazer um novo pedal de efeito para minha guitarra. Um tempo atrás (uns oito anos) eu fiz um (na verdade meu pai fez tudo pra mim…) baseado num esquema que consegui em uma revista, emprestada de uma loja de eletrônica.
O esquema estava errado – alimentação no pino errado do CI, erro idiotíssimo -, um conhecido nosso que manjava do assunto consertou e o pedal funcionou por um tempo, até ser abandonado. Hoje em dia ele ainda existe, mas alguns fios se soltaram.
Bom, atualmente é bem mais fácil ter acesso a esses esquemas. Numa pesquisa rápida encontrei um site sensacional: tonepad. O site tem vários esquemas para pedais de efeito, amplificadores e outras coisas do tipo, de níveis variando do fácil ao insano. Não vacilei, baixei o esquema de um pedal de distorção básico, o MXR Distortion.
Então, pus-me a trabalhar no pedal. Procurei os componentes aqui em Sete Lagoas mas as lojas estavam desabastecidas no fim do ano. Só em BH consegui as coisas, mesmo assim em duas visitas. Raspei o circuito na placa com uma faquinha – puta trabalho chato, nos próximos pedais imprimirei com tela – furei a placa, montei os componentes e contratei meu pai pra soldar (deu preguiça, eu estava brigando com o ferro de solda e chamei ele pra “estagiário”, ehehe).
Somente na tal segunda viagem a BH que consegui uma caixa para montar o pedal. Antes, passei bastante tempo fuçando lojas de R$1.99 buscando em vão por alguma coisa útil. Também nesta segunda compra que consegui um interruptor decente pra pisar.
Abaixo, fotos do andamento do projeto. A caixa já está pronta, com os botões posicionados. A placa também, só falta ligar os botões, o slot de bateria e a entrada de fonte AC/DC. Além, claro, da guitarra e do amplificador, que vou buscar semana que vem em São Carlos pra finalmente testar.
Sobre o projeto – o layout da placa permite a montagem de dois pedais diferentes: o MXR, que estou fazendo, e o DOD, que será feito ainda, apenas trocando (ou suprimindo) alguns dos componentes. Também não especifica os diodos, e quanto a isso procurei pelos depoimentos do pessoal que já tinha montado, no próprio site, e a maioria reportava ter usado o 1n4148. Alguns falaram do 1n60, e foi esse que procurei mas não encontrei, então fiz com o mais comum mesmo.
Assim que tiver mais novidades, posto a parte 2 aqui. Pretendo também comprar uma protoboard pra montar os próximos pedais sem soldar, assim dá pra testar os efeitos antes de fazer o pedal pra valer. Vários dos projetos deixam a especificação com alguma parte livre, exatamente pra que o usuário faça o pedal a seu gosto.
Inté.
Ano Novo, Besteiras Novas janeiro 8, 2010
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Ainda não sei porque tentei, mas consegui e fui escolhido como um dos novos escritores do SuperMarioBloggers. É um blog tipo… tipo… sei lá que tipo é aquilo. A maioria dos textos é escrito em tiopês, embora eu não escreva tãaaao tiopês assim – mas sempre vou encher de erros de português nos meus.
Então, assinem o feed se aquele blog lhe apetecer. O VaiNaLousa continuará, no mesmo ritmo de sempre (ritmo indefinido, ehehe) e sobre os mesmos assuntos de sempre, já que o foco é outro.
Inté!
Kartrançondes janeiro 3, 2010
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O kart dos França e dos Marcondes.
Pra começar bem o ano, juntamos uma turma pra ir a Santa Luzia (perto de BH) disputar uma corrida de kart. Daqui de casa, fomos eu, meu irmão (Rafael) e meu pai (Humberto), mais os primos Everton e Matheus e o pai deles, Tizé.
Quem ganhou foi o meu tio, que antes da corrida tava fazendo cu doce – “nunca pilotei isso”, “vou confundir o pedal do freio porque eu dirijo e freio com o direito” e blablabla. Resolveu correr, fez a pole e ganhou quase de ponta a ponta.
Em segundo ficou o Everton, que me passou depois de dois erros meus no início da corrida, e eu fiquei em terceiro. Em quarto o Matheus, que teve problema com um carro, em quinto meu pai, que tava lerdo mesmo, e em último meu irmão – o que mais botou banca, mas estragou 3 carros.
Os resultados oficiais seguem:
TREINO
1. Tizé 24.91
2. GG 25.39
3. Rafael 25.41
4. Matheus 25.46
5. Everton 25.63
6. Humberto 28.54
CORRIDA
1. Tizé 64 voltas
2. Everton 63 voltas
3. Gabriel +2.33
4. Matheus 59 voltas
5. Humberto 57 voltas
6. Rafael 48 voltas
MELHORES VOLTAS
1. Matheus 24.12 (volta 45)
2. Tizé 24.13 (volta 37)
3. Everton 24.20 (volta 18)
4. Gabriel 24.24 (volta 53)
5. Rafael 24.41 (volta 31)
6. Humberto 25.32 (volta 27)
Boto fotos e vídeos aqui em breve.
2009-2010 dezembro 24, 2009
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E 2009 chega ao fim. Mais um ano como os outros no mundo – com os mesmos problemas de sempre e que sempre continuarão (sou pessimista sim). Mais um como os outros pra mim?
As coisas que dão errado muitas vezes marcam mais do que as que dão certo. Esse é um problema que acho que a maioria de nós temos. Só com muita calma conseguimos botar o peso certo em cada fato. Fazendo as minhas contas, com a tal calma e com os pesos certos, chego à conclusão de que foi um bom ano pra mim.
Não pretendo entrar nos detalhes, algo que vocês provavelmente não teriam tanto interesse em saber também. Mas no geral foi um ano bem divertido, “apesar dos” e “principalmente pelos” problemas que apareceram no caminho. E que, claro, vai ficar marcado pela minha conclusão do curso , com direito a sobremesa antes da refeição – festa de formatura um ano antes de terminar as matérias…
Deixo aqui meus votos de boas festas a todos, e a minha torcida para que vocês tenham sempre a paciência necessária para o sucesso. Algumas coisas caem do céu, sim, mas nem sempre podemos contar com a sorte ou com seres invisíveis, então trabalhar para buscar os seus objetivos é primordial. A paciência é pra que você não desista antes de ter resultados.
E que tenhamos todos um bom 2010, ainda melhor do que esse 2009 foi pra mim. Sempre há onde melhorar!
E Depois? [parte 4] dezembro 19, 2009
Posted by GG in E Depois?.1 comment so far
E eis que chegou a sexta, dia 18 de dezembro. O “último dia” de estudante.
Aliás, o dia pareceu bem comprido. Tinha começado como um esticamento do dia 17, contando causos com amigos. Dormi tarde, acordei cedo para o último dia de estágio, com passada na rodoviária para comprar a passagem da volta pra casa. Almoço chinês com outros amigos, (quase) finalização das tarefas do estágio, voltar pra casa. Arrumar a mala e ir pra rodoviária, com direito a um último papo com uma amiga.
Mas o estranho mesmo foi o ônibus para BH sair lotado já de São Carlos. E mais estranho ainda, havia moças bonitas – há muitas mulheres bonitas em São Carlos, mas geralmente elas não vão pra BH, muito menos ao meu lado. O ônibus nem passou em Ribeirão Preto, onde costumam entrar os bêbados e as crianças choronas.
Somando-se a isto o motivo da viagem – acabei a faculdade! – foi a melhor viagem que fiz de SP pra cá.
Agora estou aqui em Sete Lagoas, onde começarei a colocar em prática os planos de dominação mundial.
O Barcelona ganhou do Estudiantes. Estava torcendo para uma bomba atômica cair lá, perdi.
Do que eu estava falando mesmo?
Pronto, Falo dezembro 12, 2009
Posted by GG in Indefinido.3 comments
Chega de dizer com meios fatos, perdido em posts gigantes sobre a vida universitária geral. Aproveitarei minha cabeça quente nesse sábado, 12 de dezembro, duas e vinte e oito da madrugada, pra falar o que tem me deixado puto ultimamente, inclusive hoje.
Alguns que lerem isso sem me conhecer poderão falar que sou ranzinza, preconceituoso, anti-social, ou coisas piores (me chamarão de nazista talvez, na falta de ideias). Chamem do que quiser.
Permeei os textos anteriores com o fato de viver cercado de idiotas. Na verdade, os idiotas são poucos, que perturbam por muitos. O tal do “acorda alojamento”, ou os tais das “laundry parties”.
Vamos começar com uma enumeração, como se eu estivesse conversando com você do seu lado, e contando as coisas nos dedos:
- Esse ano entrou um novo morador no meu apartamento
- Ele é índio
- A primeira coisa que pensei foi “legal, quem sabe ele me ensina um pouco da língua dele”
- Índios seguem regras diferentes
- Índios podem ser reprovados em todas as disciplinas
- O que mora comigo vive bebendo
- O que mora comigo anda com uma turma de outros índios
- A turma também vive bebendo
Isso aí já foi uma boa introdução. Mais detalhes: bebem praticamente de segunda a domingo. Não sabem fechar portas sem batê-las. Ouvem Victor & Leo e Dejavu (não sei se se escreve assim, e nem vou procurar).
Vamos ser específicos sobre o que mora comigo: começou a sumir comida da geladeira depois que ele entrou (não disse que foi ele!), tábua da privada mijada depois que ele entrou (não disse que foi ele!), panelas e louças sujas depois que ele entrou (não disse que foi ele!). Ele chega às 5h da manhã batenda as portas e coloca música alta. Coloca comida pra esquentar no fogão e dorme.
Não lembro se contei, mas nesse episódio de esquentar comida e dormir, quase põe fogo no apartamento, há algumas semanas. Acordei às seis da manhã com um desconhecido batendo na porta do meu quarto. Atendi zonzo, puto por ter sido acordado – achava que era o cara me acordando, e ele já tinha ficado ouvindo música até as 5h! – e o desconhecido me diz “sua cozinha estava pegando fogo, eu vim e apaguei”.
Considere o fato de que o idiota (adjetivo mais carinhoso com o qual consigo chamá-lo) costumava trancar a porta da sala, o que nós não fazíamos, mas pelo menos nesse dia não trancou. E considere que o desconhecido estava passando na frente do meu prédio com um balde na mão às seis da manhã. Pondere as probabilidades e veja o quão improvável é que eu esteja aqui ainda, escrevendo, ao invés de ser uma torradinha na geladeira do IML.
Depois desse episódio, o resto do pessoal que mora comigo ficou de saco cheio, reunimos com ele, explicamos todas as coisas que estavam nos incomodando desde que ele entrou, e que inclusive já tínhamos pedido que ele maneirasse. Toleramos bastante mas a paciência acabou, mandamos ele procurar outro lugar pra ele.
Mas tá lá ainda, o maldito. Não foi embora ainda, mas vai semana que vem em definitivo, não vai mais voltar. Desistiu. Viu que não era o mesmo mamão-com-açúcar que foi o vestibular especial (que era simplesmente ver se ele sabia falar português). Ficou um ano morando e bebendo às custas do governo -às custas do contribuinte, diria o jornalista – se dedicando apenas a beber e beber e beber.
Hoje pra variar, bateção de porta e música alta. Dejavu desde as 21h até as 1h, e continuando. O normal na vida dele, de quem chega em casa toda noite às 3h e acorda às 15h. Sem dar a mínima pra quem trabalha todo dia às 8h, e ainda tem que estudar pra ser aprovado e formar.
Acho que a perturbação do sossego é um dos atentados mais cruéis ao ser humano. Pelo menos é pra mim. Eu morto depois de uma semana de serviço, chego em casa e não consigo descansar. Fiquei muito, muitíssimo puto. Abri minha porta e fechei-a com toda a força, de raiva e como sinal. A resposta dele foi…. trancar a porta do quarto dele!
O sangue subiu à minha cabeça- e como não quis perder a razão, saí. Vim aqui pro centrinho usar a internet, talvez vire a noite aqui, esfriando a cabeça. Lá na mesa da copa ficou um bilhete: “RESPEITO, sabe o que é isso? Ou você está muito bêbado para ler?”. Veremos se haverá resposta. Falar com ele? Esquece, já tentou falar com bêbado?
Eu bebo às vezes, todo o pessoal lá do apartamento também, mas ninguém nunca avacalha o sossego dos outros como esse tem feito. Existe limite, existem bom senso, e isso o cara definitivamente não tem.
Vocês hão de concordar que o cara é um idiota pelos seus atos e, principalmente, falta de semancol. Errar uma vez é aceitável, e nós aceitamos um, dois, cinquenta erros dele, fomos tolerantes demais, o cara folgou. Existem blocos mais “bagunceiros”? Sim, mas o nosso não era assim, e ele deveria ter se adaptado a nós, e não nós a ele.
Enfim, termina meu caso específico. O discutível agora é a parte de ele ser índio. Provavelmente um ou outro leitor vai pensar que foi preconceito/intolerância minha. Isso é um erro. Em momento nenhum eu atribuí as merdas que ele fez à sua origem, e claramente esse comportamento pode muito bem vir de alguém caucasiano, aborígene, afro, mongol, cilônio, marciano, artrópode, batráquio, etc. A estupidez humana é infinita, diria Einstein, vulgo Betinho. Completo com um “onde há humano, há merda”.
Concordamos todos então no fato de que idiotice não vem de etnia.
Mas ó: conheci (de vista) uns dez índios dessa turma dele. Todos, TODOS os que conheci vindo ao meu apartamento atrás do meu “colega”, vinham pra chamá-lo pra beber. Posso contar nos dedos as vezes em que estes caras não estavam cambaleando de bêbados, fosse à meia-noite ou fosse ao meio-dia.
Quer dizer que todos são assim? NÃO.
Passa a impressão de que todos são assim? SIM.
O ser humano é naturalmente preconceituoso, a xenofobia está enraizada em todas as culturas. Desde o tempo em que vivíamos em cavernas. Somos bichos, não podemos escapar disso. Nosso racionalismo pode se sobrepor? Pode. Mas nossos instintos continuarão lá à espreita, esperando a hora de saltar pra fora. Eu, que me achava livre dessa merda e fiquei até animado em ter um colega índio, estou aqui agora, assumindo que tenho a impressão de que todos os índios são idiotas por causa de um. O instinto deu o bote.
(Uau, virou um tratado de sociologia!)
Eu sei que não são. O que quero ressaltar, então, é o fato de um grupo de vagabundos estar denegrindo a imagem de todo seu povo. Vagabundos que tiraram meu sossego, avacalharam meu descanso, me deixaram puto e eu acabei escrevendo essa merda aqui.
Obrigado pelo seu tempo, e me desculpem qualquer coisa.












